[1001 LIVROS PARA LER ANTES DE MORRER] - LIVRO 05: TEATRO GREGO, DE ARISTÓFANES, ÉSQUILO, EURÍPEDES E SÓFOCLES


O MELHOR DO TEATRO GREGO

Autor: Aristófanes, Ésquilo, Eurípedes, Sófocles

Ano: 2013

392 páginas

Editora: Zahar

Tradutor: Mário da Gama Kury


Antes: Fábulas Foco: Teatro clássico Depois: Eneida

A decisão da editora Zahar de intitular tal livro como O Melhor do Teatro Grego não é equivocada; traz a principal peça de quatro nomes importantes do gênero. Ésquilo é apenas o pai da tragédia, que, junto com Sófocles e Eurípides, compõe a trindade trágica grega. Aristófanes, por sua vez, é considerado o maior representante da comédia antiga.

Enquanto a decisão de trazer os principais nomes foi acertada, o mesmo não se pode dizer das peças selecionadas, pois das escolhidas, apenas duas são, de fato, espetaculares, a ponto de fazer o leitor devorá-las de uma vez, enquanto as demais são, se não enfadonhas, dispensáveis, mesmo com sua importância ao longo do século. Talvez em uma outra coleção elas fizessem mais sentido, mas aqui parecem, infelizmente, deslocadas.

Curiosamente, as melhores peças são justamente as mencionadas no Livro da Literatura e na lista de 1001 livros para ler antes de morrer: Medeia, de Eurípides, e Édipo Rei, de Sófocles, a que vou me abster a mencionar.

A primeira retrata de maneira crua e angustiante o aspecto psicológico de Medeia, uma mulher traída que, para se vingar de Jasão, mesmo ainda apaixonada por ele, trama as maiores peripécias para que o marido reveja, repense e se arrependa de tudo o que fez em nome de um novo amor, quando deveria não somente cuidar da esposa e filhos, mas zelar pelo próprio matrimônio.

Como não poderia deixar de ser, a peça é chocante do início ao fim, além de marcar o movimento feminista, pois mesmo quase 500 anos antes de Cristo, dá atenção a uma personagem feminina, quando o cenário comum era de histórias protagonizadas por homens. O magnum opus de Ésquilo, Édipo Rei, não deixa de ser chocante, mas é mais uma história do tipo investigação, pois as coisas são sendo informadas aos poucos, e o leitor vai chegando a um desfecho final, onde a história improvável surpreende. De maneira geral, a história é determinada por uma profecia que afirma que Édipo irá matar o seu pai e casar com a sua mãe; a fim de evitar o desastre, Édipo abandona Corinto, e é somente anos depois que recebe a notícia de que o pai morrera de morte natural. Ao contrário do que imagina, no entanto, os desfechos vão além da sua vontade de que não aconteçam. Não por acaso, Édipo Rei é, juntamente com Romeu e Julieta, as peças teatrais mais conhecidas e encenadas, mesmo que as pessoas sequer tenham encarado uma leitura de seus textos, o que reforça como Édipo Rei é grandiosa e atemporal. Estas, ao contrário de Prometeu acorrentado e As nuvens, que questionam a qualidade de O melhor do teatro Grego, atestam a qualidade de tudo o que a Grécia produziu para as festas diosínicas.

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